quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ciclo vicioso

Não sei em quanto tempo, mas acho que já completaram trinta vezes que a gente disse que iria se largar. Fico procurando espaços pra te esquecer no meio desse ciclo vicioso. Não encontrei nenhum pedaço de mim que queira isso, é óbvio. Na teoria é tudo tão mais fácil né? A gente imagina, constrói planos e estratégias, expecta. E na prática, mesmo que eu lute, acabo expectando mais do que deveria e caio na velha armadilha de sonhar. Sonhar: é aí que tudo começa a ficar meio esbranquiçado, como na TV. Quando a gente começa a sonhar, mesmo que um pouquinhozinho de nada, a mente embaça e começa a ver tudo em câmera lenta. A minha mente, por sua infeliz vez, não só quer ser diferente, como fica muito pior. Em vez da câmera lenta usual, minha cabeça de vento dá uma pausa total, congela a tela e esquece que o tempo está passando. Muito mais inteligente seria se essa adorável parte de mim fosse mais pé no chão e se apercebesse do que acontece em volta - e por dentro.
Já pensou como seria fácil se ao dizer que é o fim, isso significasse realmente o final, o último beijo, a despedida pra sempre, caso encerrado, e au revoir? Mas não. Minha boca diz final e logo em seguida se desmente. Ordinária. E ela não te larga. Impressionante como minha boca não te larga. Não quer. É teimosa. E minha mente pausada não faz nada pra impedir essa birra que tenho comigo mesma.
Mas daí, o que eu faria se numa dessas trinta vezes o fim tivesse significado? Incrível como a gente não sente falta, até sentir. É sempre assim. A gente sempre acha que está certo até errar, e errar feio. E como um tapa-de-realidade-na-cara, a gente nunca sente nada, até sentir um bocado de coisas. Eu nunca precisei do teu colo, até precisar...
E, como eu sempre digo, a culpa de tudo isso é toda tua.

2 comentários:

Sol disse...

Muito bom seu texto, vejo como existem sempre situações similares nesse mundo.

Rayssa Natani disse...

A gente quer tanto saber a fórmula mágica pra quebrar esse círculo, né? Mas é um círculo rígido, feito argolas de ferro. A única forma de se ver livre dele é deixar que o tempo e as tempestades (chuvas de lágrimas, talvez) o desgaste. Ele enferruja e vai se degenerando aos poucos até sumir. Mas é um processo tão lento que dá até preguiça, eu sei.

Lindo o texto. Igual tu, né, Dê? :*