quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Querido Eros

A minha vinda é de paz. Não to chateada com você nem nada. Só vim pacificamente te pedir pra ir embora daqui de dentro. Já passei um bocado de tempo te amando, mesmo sem querer. E agora que você resolveu me aprontar justamente quando eu começava a entender Ágape e tinha feito as pazes com Filos, decidi: é hora de você fazer as malas. Não to blefando, Eros. Precisamos mesmo dizer "adeus" de vez. Ou pelo menos por um bom tempo.
Sabe, não te culpo pelos meus fracassos, esse não é um texto de raiva, não quero te ferir. Só queria que você compreendesse o quanto ainda precisamos crescer até termos uma relação saudável. Obviamente ainda não aprendi a ter você por perto. E você não entende Ágape. Às vezes você sequer demonstra Filos. Tudo com você parece tão condicional! É tudo por um fio, o tempo todo. É incerto, arriscado. Vivem dizendo que amar é um desafio, uma guerra. E por você, Eros, eu já arrisquei demais. Não é a primeira vez que você apronta e talvez não seja a última. Então é hora de deixar você ir. Tenho Ágape aqui, estamos nos conhecendo; Filos e eu, finalmente, nos entendemos. Mas por você não tenho urgência. "Apenas começamos". Não tenho pressa em nada que seja efêmero. Por agora, só preciso de distância. Espero que você compreenda.
Escrevi porque não quero alardes, despedidas. Lágrimas são inúteis e não ajudam, não curam minha dor, minha mágoa. Mas eu já provei e comprovei que aquele tal de Tempo alivia um pouco. Vou ter uma longa conversa com ele e verei o que acontece. Quem sabe nos encontramos, os três, Tempo, você e eu. Agora mesmo é impossível. Não se engane: não "teremos coisas bonitas pra contar". Ninguém conta histórias de amor falido. Especialmente você. Seria uma péssima publicidade.
Filos e Ágape não me deixarão te esquecer completamente. Eles são tão bondosos! Sério, você deveria conhecê-los melhor. Eles te ajudarão a se encontrar. Com certeza me ajudam. E eu voltarei pra realidade, meus pés voltarão a pisar esse chão incerto, desconfortável e desconhecido. Mas eu sentirei uma saudade incontrolável de você. Sei disso.
E pela última vez em bastante tempo, quero dizer que te amo, Eros. Sempre amei, meu amor. Desde o começo. E sempre amarei um pouquinho. Algum pedaço relutante de mim sempre vai levar esse amor que "nem as muitas águas podem apagar". Esse amor insano, inseguro, inconseqüente, inconveniente e "sem intervalos".

Vai com Deus. E toma cuidado na estrada.


2 comentários:

Juh V. A. disse...

Nossa, muito lindo seu texto! :)
Sempre visito por aqui mas acho que nunca comentei, mas olha esse aí deu vontade de comentar, comentar e ler, reler até sorver tudo.

Parabéns, gosto do jeito que você escreve!
Bjus

Lia Araújo disse...

Ia dizer que era lindo, mas não é educado dizer que a dor de outrem é linda ( uma menina uma vez me disse isso) Por mais que não seja uma carta de raiva... é uma carta de dor... de muita dor... daquelas que a gente nem sabe se foi mesmo os dedos que escreveram, você sente cada algarismo na pele, queimando... e fica o nó na garganta....
Cada dor é única, mas eu entendo...eu entendi...

Decididamente, seu texto arranhou minha frágil represa... e fez um monte de coisa transbordar....logo, hoje....”velhas datas”
Mas, foi bom “ Eu precisava esvaziar”
Fica bem... você vai ficar! ;)